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Anão vestido de palhaço…

Publicado por Fábio em Dezembro 14, 2007

A comunidade do Orkut “Anão vestido de palhaço mata 8″ reúne as manchetes mais ridículas e esdrúxulas da internet. Há alguns dias, fazendo minha leitura diária do slashdot deparei-me com uma notícia que, embora trágica, poderia muito bem fazer parte do repertório da comunidade: Robotic Cannon Loses Control, Kills 9. Durante um exercício de tiro na África do Sul, um canhão anti-aéreo descontrolou-se e descarregou sua munição em direção aos soldados, matando 9 e deixando outros 14 feridos.

Não é a primeira vez que um bug mata soldados. Na primeira guerra do golfo, um erro de precisão aritimética fez com que o míssel de defesa Patriot falhasse ao interceptar um míssel iraquiano. 28 morreram.

Mas nem só armas matam pessoas. Todo sistema de transporte moderno é controlado por computadores e, conseqüentemente, por um software. Qualquer bug, por mais obscuro e improvável que seja, coloca a vida de milhões de pessoas em risco. Infelizmente programadores, mesmo que indiretamente, matam pessoas.

Mesmo que estejam separados por apenas um parágrafo, um canhão autônomo e um sistema de controle de transportes apresentam uma diferença básica: o primeiro foi projetado para matar. Há dois dias ele matou 9 pessoas, na próxima guerra ele matará muito mais. E numa primeira análise é duro pensar que esse ceifador é apenas mais um trabalho de um colega de profissão. Assim como toda tecnologia, é inevitável que a computação seja utilizado para fins militares. Um exemplo clássico é a Bombe, que ajudou a Inglaterra a quebrar o Enigma.

Porém mesmo que seja inevitável que algum computólogo crie uma nova arma, como se sente o sujeito? Como você se sentiria em criar um novo e mortal aparato militar? Pensaria que é apenas mais um trabalho, que alguém tem que fazer, ou que simplesmente não é você a puxar o gatilho? Provavelmente muitos devem pensar que estão ajudando a humanidade, que construir um novo míssel interceptador vai salvar vidas; infelizmente outras vidas serão perdidas quando alguém utilizar esse brinquedo para interceptar um avião – possivelmente comercial.

Será Arquimedes o carrasco dos marinheiros romanos? Será Nobel culpado por todas as bombas no mundo? Não sei a resposta, não são perguntas fáceis de serem respondidas – isso se forem decidíveis para começo de conversa – porém sei que não aceitaria participar diretamente da criação de algo puramente militar. Minha decisão aliviaria em nada as mazelas do mundo, mas pelo menos ajudaria a arejar minha consciência.

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